terça-feira, 12 de maio de 2026

Acho que as mais cruéis histórias de amor são as que acabam, mas nos fazem revisitar nossas decisões e questionar os muitos "e se...". Como se existivessem vivas em algum multiverso em que uma versão sua respondeu “vamos!”, uma versão minha desistiu de viajar, uma outra nossa que não deixou o medo decidir por nós e múltiplas outras versões de escolhas que não fizemos. Mas a verdade é que a parte agridoce da vida é justamente ter uma versão só e a aprender a arcar com o caminho que a gente escolhe.
 
Não sei se foi um fim perfeito, uma despedida triste ou o último beijo, não consigo montar a cronologia dos nossos últimos encontros, eu não sabia que seriam os últimos. Mas me lembro perfeitamente de todas as caronas, as risadas, as intermináveis conversas, as mãos dadas no show do Elton John em meios à lágrimas e tudo o mais que a gente compartilhava e se entendia sem precisar dizer. Acho que foi só a vida fazendo aquilo que ela faz: colocando duas pessoas no mesmo lugar por tempo suficiente pra pensar que existe alguma coisa ali, mas não tempo suficiente pra saber o que fazer com isso.
 
Mas, ao mesmo tempo, talvez seja exatamente isso que tenha feito essa história ser tão importante na minha vida e tão dolorosamente bonita. O que não aconteceu também vira memória, vira desejo, vira nostalgia. Não é justo pensar se trocaria o que foi pelo que poderia ter sido, a gente sabe que não trocaria, eu nunca teria te privado do que você tem hoje e que sei que eu não poderia ter te dado.
 
Só que tem lembrança que vira parte da gente mesmo sem pedir licença e tem gente que deixa uma marca num lugar que ninguém mais acessa do mesmo jeito. E ninguém acessou.
 
Eu gosto dessa ideia de que parte da gente fica no outro, e me consola pensar que alguma versão minha ficou aí, assim como alguma versão sua ficou aqui. Não a ponto de impedir a vida de seguir, mas o suficiente pra, tanto tempo depois, uma música ou uma foto ainda conseguirem abrir uma gaveta inteira. Sim, é muito bom lembrar da gente. E, como John Mayer diz na música trilha do meu último delírio nostalgiano: só não se esqueça de mim.
 
Você também continua lindo. E a gente sempre adorou divagar, fique à vontade.
Aceito uma taça de vinho, se ainda tiver.
 

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