quinta-feira, 4 de junho de 2026

Só mais uma manhã de quarta-feira

Sonhei sonhos confusos essa noite, mas não lembro de nenhum. Acordei um pouco deprimida. Deitei no sofá com César. Dor de barriga. Não deveria ter comido aquele sushi ontem. Respondo o celular da empresa. Três mensagens, nenhum atendimento novo. Preciso tomar banho e me arrumar para trabalhar. Faço um café. Ando me sentindo desconectada de tudo e de todos ao meu redor, como se eu não conseguisse mais pertencer, concordar ou acompanhar o ritmo das coisas. Tenho me pegado discutindo com meus amigos com frequência. Pequenas incompatibilidades que parecem aumentar com mais frequência ultimamente. Percebo que, a cada dia, pareço ter menos em comum com eles. O problema é que, a cada dia, pareço ter menos em comum com todo mundo. Por que tá tocando Cássia Eller na minha cabeça? Essa semana estou me sentindo estressada e ansiosa com o trabalho. Sempre que tenho um caso complexo e grave nas mãos, fico ansiosa, insegura, impostora, e então, deprimida. Não é que eu não seja capaz de tomar decisões difíceis, eu sou ótima nisso. Eu faço. Eu encaro. Estudo, penso, assumo e dou o meu melhor. Mas me deixa deprimida. Admiro quem lida com a profissão com segurança e tranquilidade. Às vezes até com paixão. Bem que essa história de nave espacial podia ser verdade, tá tudo meio chato aqui no capitalismo selvagem. Será que eu odeio meu trabalho? A fechadura estragou ontem a noite e estou destrancada em casa, mas preciso sair. Peço minha mãe para ficar aqui enquanto eu saio. 200 reais pro cara vir aqui abrir um buraco na minha porta e ir embora. ETs, me leve com vocês? Peço um Uber. Me comparo. Me analiso. Me questiono. Me escuto. Não me entendo. Me entendo. Não entendo. Minha mente não para um segundo e agora toca Rocket Man. Meu Deus, o Uber da minha mãe. Queria ser amada aos berros. Queria receber declarações e presentes únicos, autênticos, desses que mostram que a pessoa me observa de verdade, sabe? Quero ser lida. Quero me sentir desejada. Defendida. Cuidada. Queria voltar a desejar. Que drama é esse de mulher que se diz emponderada? Mas emponderada de que? O café ficou frio. Minha mãe chegou. Preciso me arrumar para trabalhar. Parece que acordo mais cedo para ter mais tempo para me atrasar. Tomo banho. Ainda tenho que levar o Cesar pra fazer xixi.

quinta-feira, 14 de maio de 2026



Venho pensando que viver é entender o paradoxo de realizar sonhos ao mesmo tempo em que se atravessa alguns dos momentos mais difíceis da vida até aqui.

(Sobre)viver é difícil. Às vezes, cruel. Mas no meio-espaço-tempo entre os muitos desafios, a vida presta também.

E é preciso poder gozar desses espaços.

Faça suas escolhas, sustente seus B.O.s e viva do seu jeito.

E este lembrete é para mim mesma também.

Relaxa a testa.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Acho que as mais cruéis histórias de amor são as que acabam, mas nos fazem revisitar nossas decisões e questionar os muitos "e se...". Como se existivessem vivas em algum multiverso em que uma versão sua respondeu “vamos!”, uma versão minha desistiu de viajar, uma outra nossa que não deixou o medo decidir por nós e múltiplas outras versões de escolhas que não fizemos. Mas a verdade é que a parte agridoce da vida é justamente ter uma versão só e a aprender a arcar com o caminho que a gente escolhe.
 
Não sei se foi um fim perfeito, uma despedida triste ou o último beijo, não consigo montar a cronologia dos nossos últimos encontros, eu não sabia que seriam os últimos. Mas me lembro perfeitamente de todas as caronas, as risadas, as intermináveis conversas, as mãos dadas no show do Elton John em meios à lágrimas e tudo o mais que a gente compartilhava e se entendia sem precisar dizer. Acho que foi só a vida fazendo aquilo que ela faz: colocando duas pessoas no mesmo lugar por tempo suficiente pra pensar que existe alguma coisa ali, mas não tempo suficiente pra saber o que fazer com isso.
 
Mas, ao mesmo tempo, talvez seja exatamente isso que tenha feito essa história ser tão importante na minha vida e tão dolorosamente bonita. O que não aconteceu também vira memória, vira desejo, vira nostalgia. Não é justo pensar se trocaria o que foi pelo que poderia ter sido, a gente sabe que não trocaria, eu nunca teria te privado do que você tem hoje e que sei que eu não poderia ter te dado.
 
Só que tem lembrança que vira parte da gente mesmo sem pedir licença e tem gente que deixa uma marca num lugar que ninguém mais acessa do mesmo jeito. E ninguém acessou.
 
Eu gosto dessa ideia de que parte da gente fica no outro, e me consola pensar que alguma versão minha ficou aí, assim como alguma versão sua ficou aqui. Não a ponto de impedir a vida de seguir, mas o suficiente pra, tanto tempo depois, uma música ou uma foto ainda conseguirem abrir uma gaveta inteira. Sim, é muito bom lembrar da gente. E, como John Mayer diz na música trilha do meu último delírio nostalgiano: só não se esqueça de mim.
 
Você também continua lindo. E a gente sempre adorou divagar, fique à vontade.
Aceito uma taça de vinho, se ainda tiver.
 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Pensei em você e senti saudade.

Estou no saguão do hotel quando quase nos esbarramos. - Pedro! Meu deus! Exclamo quase sem acreditar quando o vejo e ele parece tão surpreso quanto eu. - Ei! Nossa! Uau, você… Nós nos abraçamos por um longo tempo e eu percebo que havia esquecido disso sobre ele: seu abraço era um dos melhores do mundo, nós dois nos encaixamos feito yin yang e isso não mudou. Seu perfume me atinge em cheio e lembranças correm em flashes sem que eu tenha controle. Ao nos afastarmos, nos olhamos nos olhos e parecia que nenhum de nós sabia o que dizer. Haviam se passado 15 anos, mas todos os sentimentos e lembranças daquela época jorraram sobre mim de repente e sem aviso. - O que você está fazendo aqui? Pergunto sem pensar muito. - Vim deixar um cliente que está hospedado aqui, tivemos uma reunião há pouco…você está na cidade há muito tempo? Está hospedada aqui também? Você está linda, é muito bom te ver! Ele fala rápido como se não soubesse o que dizer primeiro, com um sorriso surpreso no rosto. - Estou de passagem para um trabalho e aproveitando para matar as saudades de BH e de algumas pessoas...é muito bom te ver também! Nós dois nos encaramos aparentemente sem saber mais o que dizer, e então eu disparo: - O que você vai fazer agora? Olho dentro daqueles olhos castanhos, um pouco caídos e agora com algumas poucas linhas do tempo, e percebo que nada nele mudou, e aquela mesma doçura, agora aparentemente mais cansada, estava ali. Seus cabelos da mesma cor dos seus olhos, mantém o mesmo corte e os mesmos cachos que eu amava passar os dedos. - Eu estava indo pra casa… Percebo o momento em que a ideia lhe ocorreu, quando ele sorri e diz: - Quer vir comigo? Eu tenho vinho.


15 anos antes

Ele me buscou em casa e me aguardava de frente para meu prédio, parado ao lado do carro. - Ei… Sorriu e, pra minha decepção, me deu um beijo no rosto, e abriu a porta para que eu entrasse. No carro, me perguntou sobre meu dia, como estavam as coisas e todo aquele papo furado de quem tenta preencher o silêncio. Eu estava nervosa, não sabia o que éramos, o que ele queria, se ele me queria depois de eu ficar meses fora, desistir de tudo e voltar querendo que tudo voltasse de onde a gente havia parado. Ele dirigia e a gente ouvia as músicas que gostávamos. Umas das muitas coisas que tínhamos em comum era o nosso gosto musical e isso era uma parte importante nossa. Não me lembro de todas as músicas que escutamos, mas me lembro de querer o tempo todo lhe dizer o quanto eu o amava e o quanto ele havia feito parte da minha decisão de voltar. Mas não falei. Chegamos em um bar decorado com placas de automóveis e estilo rock do campo. Acho que alguma banda de um amigo iria tocar, ou um amigo era o dono, esses detalhes me passaram praticamente despercebidos, eu só pensava em segurar sua mão, e perguntar por que diabos ele havia me chamado pra sair se mal falava comigo ou sequer conseguia me olhar nos olhos. Bebemos algumas cervejas e em algum momento da noite eu entendi que seria isso mesmo, apenas um encontro de amigos, bem constrangedor por sinal. Na volta pra casa ele finalmente falou o motivo daquele encontro: ele havia conhecido uma pessoa. - O nome dela é Elisa, a gente ainda está se conhecendo, ela é muito diferente de mim, mas estou gostando de sair com ele. Ela gosta de sertanejo! E olhou pra mim como que para confirmar que ele gostava dela a ponto de suportar música sertaneja. Eu acho que sorri e desejei felicidades. Depois disso não me lembro de muita coisa, meu coração estava, pela primeira vez na minha vida, sendo partido. Aquele encontro era para colocar um ponto final na nossa história confusa. Cheguei em casa e chorei como nunca, senti toda a dor da perda e o arrependimento de ter largado o amor da minha vida pra ir atrás de nada. Ao abrir o facebook, ele havia postado “I’m gonna find another you” do John Mayer, partindo meu coração uma segunda vez na mesma noite. Eu não sei se ele encontrou uma “outra eu”, mas eles se casaram e tiveram um filho, então eu gosto de acreditar que era pra ser do jeito que foi.

domingo, 9 de junho de 2013

Todo o resto...


"Existe o certo, o errado e todo o resto". Esta é uma frase dita pelo ator Daniel Oliveira vivendo Cazuza, em conversa com o pai, numa cena que, a meu ver, resume o espírito do filme dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho. Aliás, resume a vida.
Certo e errado são convenções que se confirmam com meia dúzia de atitudes. Certo é ser gentil, respeitar os mais velhos, seguir uma dieta balanceada, dormir oito horas por dia, lembrar-se dos aniversários, trabalhar, estudar, casar-se e ter filhos, certo é morrer bem velho e com o dever cumprido. Errado é dar calote, rodar de ano, beber demais, fumar, se drogar, não programar um futuro decente, dar saltos sem rede. Todo mundo de acordo?
Todo mundo teoricamente de acordo, porém a vida não é feita de teorias. E o resto? E tudo aquilo que a gente mal consegue verbalizar, de tão intenso? Desejos, impulsos, fantasias, emoções. Ora, meia dúzia de normas preestabelecidas não dão conta do recado. Impossível enquadrar o que lateja, o que arde, o que grita dentro de nós.
Somos maduros e ao mesmo tempo infantis, por trás do nosso autocontrole há um desespero infernal. Possuímos uma criatividade insuspeita: inventamos músicas, amores e problemas, e somos curiosos, queremos espiar pelo buraco da fechadura do mundo para descobrir o que não nos contaram. Todo o resto.
O amor é certo, o ódio é errado e o resto é uma montanha de outros sentimentos, uma solidão gigantesca, muita confusão, desassossego, saudades cortantes, necessidade de afeto e urgências sexuais que não se adaptam às regras do bom comportamento. Há bilhetes guardados no fundo das gavetas que contariam outra versão da nossa história, caso viessem a público.
Todo o resto é o que nos assombra: as escolhas não feitas, os beijos não dados, as decisões não tomadas, os mandamentos a que não obedecemos, ou a que obedecemos bem demais - a troco de que fomos tão bonzinhos?
Há o certo, o errado e aquilo que nos dá medo, que nos atrai, que nos sufoca, que nos entorpece. O certo é ser magro, bonito, rico e educado, o errado é ser gordo, feio, pobre e analfabeto, e o resto nada tem a ver com estes reducionismos: é nossa fome por ideias novas, é nosso rosto que se transforma com o tempo, são nossas cicatrizes de estimação, nossos erros e desilusões.
Todo o resto é muito mais vasto. É nossa porra-louquice, nossa ausência de certezas, nossos silêncios inquisidores, a pureza e a inocência que se mantêm vivas dentro de nós mas que ninguém percebe, só porque crescemos. A maturidade é um álibi frágil. Seguimos com uma alma de criança que finge saber direitinho tudo o que deve ser feito, mas que no fundo entende muito pouco sobre as engrenagens do mundo. Todo o resto é tudo que ninguém aplaude e ninguém vaia, porque ninguém vê.


  

Texto por Martha Medeiros

segunda-feira, 11 de março de 2013

E de novo e de novo e de novo...



E mais uma vez eu quebrei as promessas que fiz a mim mesma, mais uma vez eu cedi à tentação de te ressuscitar, mais uma vez eu me fiz sua e mais uma vez eu quebrei a cara.
Não me leve a mal, eu não me arrependo de nada pra falar a verdade. Eu não tenho juízo mesmo, nem vergonha na cara. Mas a ressaca sempre vem destruindo o organismo e os pensamentos.
Eu sabia o que ia acontecer quando te chamei pra sair, eu sabia o que ia acontecer quando a gente acabou com aquela garrafa de tequila e foi parar na sua casa, eu não sou inocente, nunca disse que era. Mas o que iria acontecer depois, eu não sabia. Ou melhor, sabia, mas não queria admitir, claro. Sou ótima em mentir pra mim mesma, sou ótima em criar falsas expectativas e achar que tudo vai mudar. Mas, como eu já disse, a vida não é um roteiro de comédia romântica, e você não mudou de ideia como os mocinhos das histórias sempre mudam no final.
O que eu não entendo - e acho que nunca vou entender - é o que acontece com você quando estamos juntos. Me fazendo cafuné, me puxando pra mais perto, me dizendo que sou linda e como é bom ficarmos ali, deitados, juntos, só. Em um minuto me adorando e querendo que o tempo parasse ali, e no próximo querendo que eu vá embora da sua vida, por favor.
Tem muita coisa em relação aquela noite que ainda é só um emaranhado de lembranças(culpa da garrafa de tequila), mas eu me lembro bem da manhã - ou melhor, tarde - seguinte, e me lembro bem de me despedir de você, sem conversa, sem "a gente se vê" ou "essa foi a última vez", só com um beijo sem jeito. De ouvir o barulho da porta se fechando antes que eu tivesse alcançado o elevador, de você me ver indo embora e não ter feito nada. Não vou negar, parte de mim - e uma parte bem grande - queria que você abrisse aquela porta, me puxasse pelo braço e me pedisse pra nunca mais ir embora. Chega a ser engraçado de tão ridículo e clichê, mas eu queria. E é lógico que você não fez nada disso. E enquanto eu subia a rua, de salto alto, ainda maquiada, procurando um cigarro e descumprindo - outra vez - minha promessa de parar de fumar, eu percebi que nunca iria mudar, nunca iria acontecer, nunca passaria daquilo.
E talvez tenha sido melhor a gente não ter conversado sobre o que aconteceu, a gente conversa demais e é isso que atrapalha. E eu tomaria a culpa num gole, mas hoje a darei de presente a você, porque eu simplesmente cansei de assumir toda a responsabilidade dos nossos erros.
Entrei em um taxi e voltei pra casa ao som de exaltasamba, porque claro, a vida adora debochar da minha cara.





“E eu, que fico à flor da pele sem querer, eu tenho um coração vulcânico. E sempre acabo errada.”

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Ausência



Estou cultivando amor juntamente aos fios do meu cabelo, me disseram que assim seria mais fácil. Não me assustam as proporções exageradas quando paro na frente do espelho, estão crescendo, você vai ver, mesmo me cegando durante vários momentos, os deixo ali, quase me tapando a visão. E quando sinto as pontas batendo em meus olhos, jogo a cabeça para a direita, deixo a saudade espremidinha em um pequeno espaço, aquecida, envolvida nos tufos de cabelo. 
Não entendo sobre minhas caras, aquelas que você insiste em dizer que fiz. Não compreendo sequer sobre a distância da sua cama para o abajur, eu não estou aí. 
Deixe então que eu pratique diariamente com você meus dramas, o que mais, além disso, eu poderia fazer? 
Continuo lendo seu único email até conseguir dormir. E mesmo que o poema não seja seu, encarno o personagem, te coloco bem ao meu lado, como em todas as noites deveria ser. 


Ouvindo: Caetano Veloso - Coração vagabundo

Texto por NanaCaê

domingo, 12 de agosto de 2012

Mais um dia dos pais sem você aqui...





Eu adoro você. Porque pra gente, adorar é mais que amar. E eu adoro no puro e real sentido da palavra. E pra sempre. E de perto ou infelizmente de longe. E isso é uma declaração sim, de veneração, de amor. Saudade sempre. Feliz dia dos pais aí no céu! 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Amor, vinho e outras coisas




Nos últimos dias, e com tudo o que tem acontecido na minha vida, me peguei pensando - novamente - no amor. No amor romântico, entre duas pessoas.
Quando você se apaixona e não dá certo, bola frente. Nada que um porre, uma noitada com as amigas e uma noite com uma pessoa errada(por que não?) não resolvam. No outro dia você fica de ressaca e dois dias depois já está pronta pra outra. Pelo menos comigo, sempre foi assim. Mas e quando é amor de verdade? O que a gente faz com ele?
Os filmes e livros e tudo o que já foi dito ou escrito sobre o assunto nos ensinam que quando é amor de verdade você não deve desistir nunca. Que se é amor, no final sempre dá certo, e se não der é porque uma das partes morreu. Mas no mundo real não é bem assim que funciona. Você acaba sofrendo, se humilhando e destruindo toda a sua confiança. Acaba se tornando uma arma contra seu amor próprio e isso não é certo. Mas se é amor, deveria dar certo no final, né? Porque, como é possível você amar uma pessoa e ela não te amar de volta? Isso ninguém ensinou pra gente.
Não me levem a mal, não estou tentando colocar a culpa das minhas frustrações amorosas em Shakespeare, nem nada disso. Mas eu acho que tudo o que já foi escrito e dito sobre isso, só pode ter sido pura utopia. Porque é possível sim, você amar alguém e não ter o final feliz.
Mas essa sou eu divagando - pra variar - sobre coisas que eu nunca vou entender. Uma garrafa de vinho, um maço de cigarros, John Mayer e essas dúvidas que nunca me deixam me trouxeram até aqui.
Eu não sei o que fazer com esse amor. E dói tanto que tô quase procurando um cardiologista porque isso não pode ser normal. E eu não sei dizer quando se tornou amor, como aconteceu. Mas aconteceu. E eu amo. Fazer o que?
Eu sei que o tempo não cura tudo, mas ajuda, e um dia eu vou poder sair de casa e ao invés de levar ele comigo na bolsa, vou conseguir deixar ele em casa, bem guardado em uma gaveta. Ele sempre vai fazer parte de mim, mas um dia para de doer. E essa é minha única esperança no momento.



“Fica por aqui, vem cuidar de mim. Vamos ver um filme, ter dois filhos. Ir ao parque, discutir caetano, planejar bobagens e morrer de rir”

quinta-feira, 14 de junho de 2012



O que te dizer? Que eu te gosto demais e mesmo sabendo que não existem chances pra nós dois, não consigo parar de pensar em você? Que hoje resolvi sair com outra pessoa, pra ver se te esquecia, que resolvi me dar uma chance de ser feliz sem você? Mas que o encontro foi um completo desastre, que o cara era um idiota e me tratou como um lixo? Que eu nem me importei porque a todo momento eu só pensava que era você que devia estar ali comigo naquela mesa de bar? Que enquanto eu respondia qualquer coisa, enquanto eu fingia presença, eu só pensava em você, com suas piadas idiotas? Em você, com aquele jeito de me olhar como se entendesse coisas que eu ainda nem tinha dito? Em você, ocupando um lugar que ninguém mais parecia saber ocupar? Que cheguei em casa, abri um vinho e fumei meio maço de cigarros olhando suas fotos e ouvindo nossas músicas como quem cutuca uma ferida só pra confirmar que ainda dói? Que tudo o que eu queria era te pegar pelos ombros e te sacudir até você perceber que somos perfeitos juntos?
Não, não posso te dizer nada disso. O nosso combinado é de não nos falarmos.
O que me resta é escrever, pra ver se a tristeza encontra uma saída. Se um dia, com alguma sorte, tudo isso deixa de ser urgência e vira apenas memória.


"Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é difícil porque o sentimento fica."



terça-feira, 12 de junho de 2012

Happy Valentine's Day




Nós tínhamos uma ligação especial, um jeito meio particular de gostar um do outro. Podíamos passar horas conversando, abraçados dentro do seu carro, como se o mundo lá fora tivesse sido suspenso só por um tempo. E parecia certo. Não necessariamente simples, muito menos seguro, mas certo.

Mas aí eu estraguei tudo. Ou achei que tinha estragado.

Fui até a sua casa pedir desculpas pelas bobagens que eu tinha dito depois de algumas cervejas. Você disse que estava tudo bem, que ia ficar tudo bem, e talvez uma parte de mim tenha acreditado. Ficamos deitados na sua cama por horas, talvez, abraçados, enquanto você fazia piadas sobre a situação e dizia o quão idiota você era.

Foi ali que eu percebi que estava apaixonada demais.

E, quase ao mesmo tempo, percebi que você não estava.

Às vezes a resposta chega junto com a pergunta. 

Eu me levantei e comecei a me vestir, enquanto você pedia pra eu ficar. Me lembro de lutar contra as lágrimas com uma força quase física, porque ir embora, naquele momento, parecia contrariar tudo o que eu queria. Como olhar para a pessoa que você ama te pedindo pra ficar, e ainda assim dizer não?

Mas eu sabia.

Se eu ficasse, eu sofreria mais. A gente continuaria acontecendo quando fosse conveniente pra você. E esses momentos seriam lindos, porque eram. Mas depois eu voltaria pra casa com aquela sensação conhecida de estar sozinha dentro de uma história que parecia ser de dois. Eu sentiria sua falta quando você não estivesse por perto. E você, provavelmente, seguiria sem sentir a minha do mesmo jeito.

Foi preciso aprender que nem todo pedido pra ficar merece ser atendido. Às vezes, dizer não para alguém é o único jeito de dizer sim pra si mesma.

Em um mundo perfeito, você cairia na real e viria atrás de mim sabendo que eu era a mulher pra você. Mas o mundo não é um roteiro de comédia romântica em que duas pessoas se desencontram o filme inteiro só para, no final, perceberem que deveriam estar juntas.

Na vida real, às vezes a pessoa não vem.

E a gente precisa seguir mesmo assim.


Ouvindo: Ana Cañas - Luz Antiga

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Ah...o amor





Hoje, por algum motivo ainda desconhecido por mim, me peguei filosofando sobre o amor. Quantas vezes já sofri por amor, chorei e achei que seria o fim, que nunca mais amaria e no entanto, lá estava eu de novo, me apaixonando e amando e sofrendo...
Perto de completar 25 primaveras ainda me vejo ficar confusa sobre sentimentos, pessoas, relacionamentos, e creio eu, que isso não mude muito com a idade.
Mas penso que a gente nasceu pra sofrer de amor. A gente nasceu pra sofrer de amor e amar muito ainda assim. Seja o amor pelo homem, pelos filhos, pelos pais. O mesmo amor que nos faz feliz é aquele que nos faz chorar por um motivo ou outro. A  perda, seja pelo término, pela briga ou pela morte, a saudade, a preocupação, ou até a felicidade, por que não?
Tudo o que sei é que são duas horas da manhã e talvez o que eu precise é de uma boa noite de sono, ou uma cerveja, ou sei lá. Acho que o 'sei lá' é mais provável.
Racionalizar sentimentos é quase impossível e ainda assim eu tento.
Só sei que tá tudo esquisito aqui dentro e espero que seja só a idade chegando.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

20/06/2011




Então você pensa que é um dia comum, uma noite de domingo como outra qualquer, reclamando que no outro dia é segunda-feira e tem que trabalhar. De repente sua noite de domingo muda. Agitação, correria, hospital, espera, e a notícia que vai mudar toda a sua vida e fazer seu mundo cair.
Os últimos meses foram maravilhosos e tristes, embora isso possa soar um pouco incoerente. Mas o que tem de coerente na morte não é? Quando descobrimos o diagnóstico foi uma dor muito grande, uma surpresa e uma certeza: tínhamos pouco tempo pra aproveitar ao máximo a presença dele. E aproveitamos. É muito bom não ter arrependimento e culpa (que é comum sentir nesses momentos), mas aqui em casa não temos motivos pra remoer nada. Aproveitamos, demos carinho, tudo o que podíamos fazer, fizemos. Creio que meu pai foi muito feliz nos seus últimos meses de vida e é isso o que me deixa com o coração em paz.
Meu pai era um homem maravilhoso, autêntico, alegre, brincalhão, o centro das atenções. Eu não conheço uma pessoa que não gostasse dele. Era um homem muito inteligente e tinha uma cultura que impressionava. Ele se foi muito cedo e vai deixar uma saudade que é impossível descrever.
Não é fácil voltar pra casa, ver suas roupas, seus sapatos, e saber que eles não irão mais vesti-lo. Não é fácil olhar pro seu lugar vazio no sofá e saber que posso assistir o canal que eu quiser na TV porque não tenho mais você pra brigar comigo pelo controle remoto, como duas crianças. Dói saber que não vou mais escutar sua voz cantando "Sunshine on my shoulders", ou ver sua carinha de felicidade toda vez que eu trazia pra casa a comida que você gostava. E é pior ainda saber que não vou mais ganhar seu sorriso e seu beijo toda vez que eu abrir a porta da sala, chegando do trabalho e escutar "Ei meu tesouro".
Embora a gente tenha a sensação do nunca mais, sei que não acabou aqui. Um dia a gente vai se ver de novo, e ele vai olhar por nós de onde ele estiver.
Tenho muito orgulho do homem, do marido e do pai que ele foi.
Pai, meu tesouro, eu te amo demais!!




"Imagine que você está a beira mar e vê um navio partindo. Você fica olhando, enquanto ele vai se afastando, cada vez mais longe, até que finalmente parece apenas um ponto no horizonte. E você diz: 'ELE SE FOI.' Foi onde? Foi a um lugar que a sua visão não alcança. Só isto. Ele continua tão grande, tão bonito e tão importante como era quando estava perto de você. A dimensão diminuída está em você, no alcance dos seus olhos e não nos dele. E naquele exato momento em que você está dizendo: 'ELE SE FOI', outros o estão vendo se aproximar e outras vozes estão exclamando: 'ELE ESTÁ CHEGANDO!!'"

domingo, 13 de março de 2011

What's going on?!

 
 
"Vinte e cinco anos e minha vida está imóvel
Estou tentando subir aquela grande colina de esperança
Por um destino
Eu percebi rapidamente quando soube que
Aquele mundo era feito por esta
Irmandade dos homens
Seja lá o que isso signifique

E então eu choro algumas vezes quando estou deitada na cama
Apenas para excluir tudo o que está em minha cabeça
E eu, eu estou me sentindo um pouco peculiar

E então eu acordo pela manhã e saio lá para fora
E eu tomo um fôlego profundo
E eu me elevo
E grito a plenos pulmões
O que está acontecendo?

E eu canto hey-yeah-yea-eah, eah hey yea yea
Eu disse hey! O que está acontecendo?
E eu canto hey-yeah-yea-eah, eah hey yea yea
Eu disse hey! O que está acontecendo?

E eu tento, oh meu Deus como eu tento
Eu tento o tempo todo
Nesta instituição
E eu rezo, oh meu Deus como eu rezo
Eu rezo a cada dia comum
Por uma revolução

E então eu choro algumas vezes quando estou deitada na cama
Apenas para excluir tudo o que está em minha cabeça
E eu, eu estou me sentindo um pouco peculiar

E então eu acordo pela manhã e saio lá para fora
E eu tomo um fôlego profundo
E eu me elevo
E grito a plenos pulmões
O que está acontecendo?

E eu canto hey-yeah-yea-eah, eah hey yea yea
Eu disse hey! O que está acontecendo?
E eu canto hey-yeah-yea-eah, eah hey yea yea
Eu disse hey! O que está acontecendo?

Vinte e cinco anos e minha vida está imóvel
Estou tentando subir aquela grande colina de esperança
Por um destino"
 
 
 

domingo, 16 de janeiro de 2011

Um texto de amor pra ninguém.

Às vezes eu tenho a impressão de que minha vida é uma eterna procura. A procura de quê exatamente, ainda não sei.
Meus dias andam vazios, mornos, sem cor.
Sinto necessidade de me encontrar, descobrir quem sou, qual o meu propósito na vida e, principalmente, preencher esse vazio que anda comigo.
Talvez a vontade de encontrar aquela pessoa que te completa, tenha a ver com isso. Muita gente diz que ninguém precisa de outra pessoa pra ser feliz, e que temos que ser felizes com nós mesmos, que amor é bom, mas não é crucial. Concordo com a parte de que temos que ser felizes com nós mesmos, mas como diria Tom Jobim, "é impossível ser feliz sozinho".
Acho que em um mundo tão grande, com tanta gente, deve ter alguém por aí que não é perfeito, mas que é perfeito pra mim.
Eu posso ter passado por ele na calçada, ou nunca tê-lo visto. Não sei se já o conheço, se já fomos apresentados, se ainda vamos nos encontrar, ou se vamos passar o resto de nossas vidas nos procurando.
Mas até lá continuo tendo a impressão de que minha vida está em "standby", e não vejo a hora de poder apertar o "play".

"Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada" (Clarice Lispector)







"- Sabe a garota do copo de água?
 - Sei.
 - Se parece distante, talvez seja porque está pensando em alguém.
 - Em alguém do quadro?
 - Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar e sentiu que eram parecidos.
 - Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente a criar laços com os que estão presentes.
 - Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
 - E ela? E a bagunça da vida dela? Quem vai pôr ordem?"

Cena do filme "O fabuloso Destino de Amelie Poulain"

domingo, 9 de janeiro de 2011

"Talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor..."

Sei que falar "Clarice Lispector me entende" pode parecer clichê, mas é assim que me sinto. Aquela mulher tinha o dom de descrever a si mesma e seus sentimentos que eu não tenho, e as coisas que ela escreveu me fazem pensar "Puxa, eu poderia ter escrito isso, porque me sinto exatamente assim." E esse texto é um dos mais lindos e geniais dela, onde me identifico em cada linha e creio que muitos de vocês(principalmente mulheres) irão se encontrar ali também.



"Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!"

Clarice Lispector


"Publicar um texto é um jeito educado de dizer 'me empresta seu peito porque a dor não tá cabendo só no meu'."  (Tati Bernardi)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Coisas antigas..

Estava olhando alguns arquivos antigos no meu computador,  e encontrei uma página de um texto que escrevi e que pretendia se tornar um livro. Coitada de mim.
Mas quando li, achei bom. Quem sabe um dia, quando eu tiver tempo de novo e a criatividade voltar, aprimorada por mais anos de vida e muito mais experiências que uma simples garota de 15 anos, eu volte a escrever?




"Capítulo 1





            -Ai meu Deus! Será que ele não vai ligar nunca? –­­­­ Perguntei a mim mesma depois de tomar o último gole do café.
            A noite passada havia sido terrível. Fui ao apartamento de John decidida: iria me declarar pra ele. Eu o amava e não podia mais esconder. Eu iria dizer verdade, ele iria ficar feliz, dizer que sentia o mesmo há muito tempo, mas nunca teve coragem de se declarar. Então iríamos nos beijar e nos amar ali mesmo.
            Coloquei o meu melhor vestido – o único decente do meu guarda-roupa – uma sandália com salto agulha, me maquiei e prendi meu cabelo no estilo “fatal”. Coloquei meu braço pra fora da janela pra checar a temperatura. Estava frio. Peguei meu casaco e saí.
            No caminho comprei uma garrafa de vinho tinto. O favorito de John. O trânsito estava terrível e eu cada vez mais nervosa. Ainda havia tempo de desistir, esquecer aquilo. Mas automaticamente dirigi até o prédio onde John morava.
            Chamei o elevador tremendo. Entrei. Pra minha sorte não havia ninguém. Ninguém pra testemunhar meu nervosismo. O ponteiro do elevador indicava os andares. 2...3... – Afinal, qual é o problema comigo? – Falei alto –  4...5... – É só dizer e pronto. O máximo que eu posso levar é um fora. –  6...7...8. Oitavo andar – Ah...eu to fazendo uma tempestade à toa...é tão fácil! – Saí do elevador andei em direção ao apartamento de John.
            Parei na frente da porta – Bom – Pensei – Aqui estou. Coragem, Julia, coragem. – Toquei a campainha e, antes que eu pudesse pensar em sair correndo, a porta se abriu.
            Gelei. Lá estava ele. Tremi. Notei que estava nu e enrolado em um lençol branco. Provavelmente estava na cama. "


Pois é, termina aí. Ainda pretendo voltar nesse texto. Alguma sugestão para o futuro de Júlia?
 

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Simples...


Só queria um lugar mais calmo, longe dessa loucura toda. E ficar perto de quem ama, sem se preocupar com o tempo, com os compromissos...
Andar calma e livre por lugares lindos, sentir o vento, o frio gostoso, as mãos dadas, a conversa interminável, sobre o tempo, sobre o trabalho(inevitável), sobre os amigos, a família, sobre os problemas, a solução, sobre os dois. E depois de um longo e maravilhoso dia, dormir abraçado com aquela pessoa, aquele que não importa onde, como, quanto tempo, sempre é bom estar por perto. Simples. E as maiores e melhores coisas estão na simplicidade.
E é assim, nessa simplicidade, nessa felicidade que ela deseja, e sonha viver o resto da vida.



"E dizia consigo mesmo: -Deitar-se com alguém e dormir com ele, eis duas paixões não apenas diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma multidão inumerável de pessoas), mas pelo desejo do sono compartilhado(e esse desejo diz respeito a uma só pessoa)."

_Milan Kundera- A Insustentável leveza do ser.


segunda-feira, 28 de junho de 2010

Viva, não sobreviva...



Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

sábado, 26 de junho de 2010

Um pouco sobre a Victoria...



Ela é volúvel, indecisa, louca, idiota, vulnerável, passional.
Ama demais, odeia demais, sonha demais, quer tudo de uma vez só. Pensa demais em tudo, mas sempre faz o contrário do que planejou.
É doce, amável, dengosa, sincera, brincalhona, enrolada, extrovertida, tímida, polida, confusa, retardada, dramática, amiga, contraditória.
Ela gosta de dançar, comer, escrever, ler, cantar, atuar, brincar, beijar, rir, chorar, falar, altura, café, coca-cola, cigarro, música, filmes, madrugada, internet, chocolate, comida japonesa, pessoas.
Não gosta de ficar sozinha, não ter o que dizer, ser passada pra trás, falsidade, rotina, pagode, guaraná antártica, derby, chocolate branco, comida chinesa, milho.
Odeia que cuidem da vida dela mas adora cuidar da dos outros.

Ama a família, os amigos, as cachorras e o gato dela.

Quer viajar, conhecer o mundo, dançar na lua, aprender dança de salão e gaita, ser atriz, casar um dia, ter filhos, morar sozinha, amar quem quer, a hora que quer, sem compromisso e sem ser julgada, só por prazer.

Não quer ser mal interpretada, odiada, ficar longe das pessoas que ama, brigar mais, sofrer mais, ser enganada, sentir saudades.

Vive procurando sua felicidade. E procura tanto que acaba fazendo burrada.

Dorme amando e acorda odiando.

Mas ela não cansa. Procura, luta, sonha, apanha, sofre, ganha, perde, chora, ri, ama, esquece, ama de novo, sempre... até encontrar seu caminho.

Quer ir embora, mas quer ficar.

Simplesmente ela...