Nós tínhamos uma ligação especial, um jeito meio particular de gostar um do outro. Podíamos passar horas conversando, abraçados dentro do seu carro, como se o mundo lá fora tivesse sido suspenso só por um tempo. E parecia certo. Não necessariamente simples, muito menos seguro, mas certo.
Mas aí eu estraguei tudo. Ou achei que tinha estragado.
Fui até a sua casa pedir desculpas pelas bobagens que eu tinha dito depois de algumas cervejas. Você disse que estava tudo bem, que ia ficar tudo bem, e talvez uma parte de mim tenha acreditado. Ficamos deitados na sua cama por horas, talvez, abraçados, enquanto você fazia piadas sobre a situação e dizia o quão idiota você era.
Foi ali que eu percebi que estava apaixonada demais.
E, quase ao mesmo tempo, percebi que você não estava.
Às vezes a resposta chega junto com a pergunta.
Eu me levantei e comecei a me vestir, enquanto você pedia pra eu ficar. Me lembro de lutar contra as lágrimas com uma força quase física, porque ir embora, naquele momento, parecia contrariar tudo o que eu queria. Como olhar para a pessoa que você ama te pedindo pra ficar, e ainda assim dizer não?
Mas eu sabia.
Se eu ficasse, eu sofreria mais. A gente continuaria acontecendo quando fosse conveniente pra você. E esses momentos seriam lindos, porque eram. Mas depois eu voltaria pra casa com aquela sensação conhecida de estar sozinha dentro de uma história que parecia ser de dois. Eu sentiria sua falta quando você não estivesse por perto. E você, provavelmente, seguiria sem sentir a minha do mesmo jeito.
Foi preciso aprender que nem todo pedido pra ficar merece ser atendido. Às vezes, dizer não para alguém é o único jeito de dizer sim pra si mesma.
Em um mundo perfeito, você cairia na real e viria atrás de mim sabendo que eu era a mulher pra você. Mas o mundo não é um roteiro de comédia romântica em que duas pessoas se desencontram o filme inteiro só para, no final, perceberem que deveriam estar juntas.
Na vida real, às vezes a pessoa não vem.
E a gente precisa seguir mesmo assim.
Ouvindo: Ana Cañas - Luz Antiga

4 comentários:
Eu ainda acredito em finais felizes. E se ainda não está feliz, é porque não chegou ao final.
As tristezas nos caminho são parte do enredo!
Lindo texto, amiga!
O mundo perfeito é uma utopia, e é preciso andar olhando pra frente para chegarmos a algum lugar, mesmo que seja um lugar já visitado. :)
Dá pra sentir a angústia por meio das suas palavras ao ler seu texto.
Seria lindo, se não fosse trágico. Mas a tristeza tem lá sua porção de beleza.
Te amo amiga!
A vida é como uma roda gigante, infelizmente ela tem que seguir o caminho e sair da parte alta e ir até a parte mais baixa, mas pode ter certeza que muito em breve vc ta em cima de novo e muito mais preparada pra passar por algum problema que seja parecido com ele.
Sempre que me encontro no fundo do poço tento não me esquecer que se eu não tirar proveito das coisas ruins que vivo, não vai valer a pena tanto sofrimento.
É difícil, machuca, dói, chateia, mas passa!
To aqui contigo pro que precisar :)
Postar um comentário